Arte moderna ou roubo?- Análise do quadro “Pegue no dinheiro e fuja”
Arte moderna ou roubo? – Análise do quadro “Pegue no dinheiro e fuja”
A obra "Pegue no dinheiro e fuja", de Jens Haaning, foi motivo de bastante controvérsia há dois anos atrás, o motivo, o autor fez literalmente o que título implica. Como pode esta obra ser motivo de provocação entre a arte e o dinheiro?
O Museu Krusten de Aalborg,
em 2021, acordou com o artista plástico Jens Haaning entregar um apoio
financeiro de 70 mil euros (valor correspondente a um ano de salário na
Dinamarca) para restaurar obras suas antigas. Quando o staff
do museu recebeu os suposto quadros, abriram a caixa estavam telas em
branco exceto uma (telas nas fotos acima). Todas elas intituladas de
"Pegue o dinheiro e fuja".
Para além das telas brancas existe
uma parcialmente preenchida pelo que se assemelham a notas de dinheiro real.
Todas elas alinhadas e dispostas individualmente sem se sobreporem. Preenchem
18 filas na horizontal, porém na última fila, antes de chegar à metade da
linha, para de se acrescentar notas.
Como o próprio diretor do museu, Lasse Andersson, afirmou:
"Mostram um olhar humorístico e fazem nos refletir sobre a forma como valorizamos o trabalho "
A obra levanta questões éticas sobre os limites da arte.
Esta obra é arte moderna, mais
concretamente arte conceptual. Assim, o mais importante não é o objeto em si,
mas a ideia por trás dele. Neste caso, o gesto de “pegar no dinheiro e fugir”
pode ser interpretado como uma crítica ao sistema artístico, de como o dinheiro
influencia o valor da arte. Jens Haaning transforma o próprio ato de ficar com
o dinheiro numa mensagem que a valoriza a sua arte (ou pelo menos as telas
vazias).
A arte é arte quando desperta
um sentimento grotesco ou de admiração. As questões que se acumulam comprovam o
nascer de um sentimento e debate, logo sim, é "arte".
Independentemente, o artista
terá de reembolsar o dinheiro.
Concluindo, a obra
provocadora que pode ser vista como arte conceptual. Tudo depende da forma como
interpretamos a intenção do artista. Apesar da simbologia continua a parecer
uma “burla”, portanto o artista continua a ter de devolver o dinheiro.
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