Fernão Lopes, Crónica de D. João I - Resumo completo
Indíce
- Contextualização
do autor
- Contexto
histórico da obra: Crise Política (1383-1385)
- Presença
da consciência coletiva
- Atores
individuais e coletivos
- Resumo dos capítulos
- Linguagem
de estilo de escrita
- Contextualização do autor
- Contexto histórico da obra: Crise Política (1383-1385)
- Presença da consciência coletiva
- Atores individuais e coletivos
- Resumo dos capítulos
- Linguagem de estilo de escrita
Contextualização do autor:
- Fernão Lopes terá nascido entre 1380 e
1390 e acredita-se que em Lisboa.
- Era de origem humilde mas exerceu várias
funções no reino entre as quais, a de guarda-mor da Torre do Tombo, sendo
da sua autoria as crónicas referentes aos reinados de D. Pedro, D.
Fernando e D. João I. Por ser o guarda-mor pode conferir às suas obras veracidade.
- A Crónica de D. João I, escrita por
Fernão Lopes no século XV, relata os acontecimentos da Crise de
1383-1385, um dos momentos mais decisivos da história de Portugal.
Contexto histórico da Crise de 1383-1385:
- A Crónica de D. João I versa sobre um período
conturbado de crise na monarquia portuguesa que vai de 1383 a 1985,
legitimando a nova dinastia de Avis.
- A
crise começou com a morte do rei D. Fernando I, em 1383, sem deixar
herdeiro masculino. Do casamento com D. Leonor Teles, a sua única filha,
D. Beatriz, era casada com o rei de Castela, D. João I de Castela. Muitos
portugueses temiam que Portugal perdesse a independência e fosse integrado
em Castela.
- Perante esta situação, surgiu um
conflito entre os partidários de D. Beatriz e de Castela (sobretudo parte
da nobreza) e, os defensores da independência portuguesa, apoiantes do D.
João, Mestre de Avis.
- Foi um período de guerra civil e
conflito contra Castela, marcado não só por uma grande instabilidade política,
como grave crise económica.
- Em 1383, o Mestre de Avis matou o conde
Andeiro, favorito da rainha-regente D. Leonor Teles, sendo que o povo de
Lisboa apoiou o Mestre de Avis.
- Em 1385, nas Cortes de Coimbra de 1385,
o Mestre de Avis foi aclamado rei com o nome de D. João I.
- Nesse mesmo ano, Portugal venceu Castela na Batalha de Aljubarrota, comandada por Nuno Álvares Pereira, garantindo a independência portuguesa.
Presença da consciência coletiva:
- A crónica de Fernão Lopes legitima a dinastia
de Avis e glorifica D. João I como defensor da nação.
- A “arraia miúda” (povo) foi de extrema importância
nesta revolução, valorizando-se o amor a pátria e luta pela independência
e identidade nacional;
- Ao valorizar o papel do povo de Lisboa e
da burguesia, Fernão Lopes inova na sua crónica, ao constituir uma
afirmação da consciência coletiva – o povo como um herói coletivo.
- Mostra uma visão mais humana e realista
das personagens históricas, umas vozes anonimas que se revoltam e brotam pelas
ruas de Lisboa, com o seu apoio ao Mestre de Avis, com todas a vicissitudes
da crise e a defender a sua cidade contra os castelhanos.
- O povo é o verdadeiro herói da revolução na crónica de Fernão Lopes.
Atores individuais e coletivos:
- O autor, foca a sua atenção na complexidade
dos atores individuais e, por outro lado, na consciência coletiva.
- Atores individuais são as figuras
históricas, personagens com densidade que, a certa altura, podem ganhar
uma dimensão coletiva, usado para afirmar os interesses da comunidade:
- D. João Mestre de Avis
- D. João, rei de Castela
- Álvaro Pais
- D. Leonor Teles
- Conde Andeiro
- Pajem do Mestre
Atores coletivos são as gentes de Lisboa (homens bons, as mulheres, os lavradores…) que confluem numa consciência coletiva, tão marcante na sua obra, sem que alguma vez o cronista destaque uma figura individualizada.
Resumo dos capítulos:
· No Capítulo 11 da Primeira Parte da "Crónica de D. João I", Fernão Lopes descreve o ambiente de tensão e instabilidade vivido em Portugal após a morte de D. Fernando. O povo começa a demonstrar descontentamento com a regência de D. Leonor Teles e com a influência do conde Andeiro, visto como alguém ambicioso e prejudicial ao reino.
·
O
capítulo mostra também o crescimento da preocupação em relação à possibilidade
de Portugal perder a independência para Castela, já que a filha de D. Fernando,
D. Beatriz, estava casada com o rei castelhano. Neste contexto, começa a ganhar
força a figura do Mestre de Avis, D. João, que é visto por muitos como
esperança para defender o reino e os interesses portugueses.
Fernão Lopes destaca
sobretudo:
- o clima de crise política;
- a revolta popular contra os governantes;
- o medo da dominação castelhana;
- o aparecimento do Mestre de Avis como
líder apoiado pelo povo.
O cronista utiliza
uma linguagem viva e próxima do povo, mostrando emoções coletivas, agitação
social e o sentimento patriótico que vai crescendo ao longo da narrativa.
·
No Capítulo
115 da Primeira Parte da "Crónica de D. João I", Fernão Lopes relata os
preparativos e o entusiasmo em torno da defesa de Portugal contra Castela, numa
fase decisiva da crise de 1383-1385.
·
O
capítulo destaca a união entre o povo e os apoiantes do Mestre de Avis. Há um
forte sentimento de patriotismo e de confiança na liderança de D. João. Os
portugueses organizam-se para resistir ao inimigo castelhano, mostrando
coragem, espírito de sacrifício e determinação em preservar a independência do
reino.
Fernão Lopes
valoriza especialmente:
- a coragem e a lealdade dos portugueses;
- a liderança do Mestre de Avis;
- o apoio popular à causa nacional;
- o contraste entre os defensores de
Portugal e os inimigos castelhanos.
O cronista reforça a
ideia de que o povo português está unido por um objetivo comum: proteger o
reino e garantir a sua independência. A narrativa transmite grande intensidade
emocional e exalta o sentimento nacionalista, muito presente ao longo da obra.
·
No Capítulo
148 da Primeira Parte da "Crónica de D. João I", Fernão Lopes descreve a
vitória portuguesa na Batalha de Aljubarrota e as suas consequências para o
reino.
Fernão Lopes
destaca:
- a coragem e disciplina dos portugueses;
- a união entre o rei, os nobres e o povo;
- a inteligência militar de D. Nuno
Álvares Pereira;
- a derrota humilhante dos castelhanos;
- a ideia de que Deus favorecia a causa
portuguesa.
O cronista narra os
acontecimentos com grande dramatismo e entusiasmo patriótico, transformando a
batalha num símbolo da identidade nacional e da legitimidade de D. João I como
rei de Portugal.
Linguagem de estilo de escrita:
A linguagem e o
estilo de escrita de Fernão Lopes na Crónica de D. João I caracterizam-se por
serem vivos, expressivos e muito próximos da oralidade. O cronista procura
envolver o leitor nos acontecimentos e transmitir emoção, tornando a narrativa
dinâmica e realista.
Algumas
características principais são:
- Linguagem simples e direta
Fernão Lopes escreve de forma clara, acessível e pouco artificial, aproximando-se da maneira como o povo falava.
- “E o povo começou de falar contra o conde.”
- Realismo e pormenor
Descreve acontecimentos, personagens e ambientes com muitos detalhes, dando grande sensação de realidade histórica.
-“Uns choravam, outros davam grandes vozes, e muitos corriam pelas ruas.”
- Vivacidade narrativa
Usa diálogos, exclamações, perguntas e descrições movimentadas para tornar a narrativa mais intensa e dramática.
- “Matom o traidor! Matom o conde!”
- Intervenção do narrador
O cronista comenta os acontecimentos, faz críticas, elogia personagens e mostra opiniões pessoais, guiando a interpretação do leitor.
- “Segundo alguns dizem…” ou “Como adiante ouvireis…”
- Valorização do povo
Dá importância às emoções e ações populares, algo inovador para a época, mostrando o povo como participante ativo da História.
- “Amiúde falava o povo contra aqueles que desejavam entregar o reino a Castela.”
- Patriotismo e dramatismo
Exalta a defesa da independência portuguesa e apresenta muitos episódios com forte carga emocional.
- “Antes queriam morrer honradamente que viver sujeitos a Castela.”
- Humanização das personagens
As figuras históricas aparecem com sentimentos, dúvidas, medos e ambições, tornando-se mais humanas e próximas.
- “O Mestre esteve pensativo e com grande cuidado.”
Estas
características tornam a Crónica de D. João I uma obra inovadora e fundamental
da literatura portuguesa medieval.
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