Planos d' “Os Lusíadas”
Planos d' “Os Lusíadas”
Primeiramente,
o plano da viagem ocupa a parte central da narrativa porque a obra
acompanha a expedição de Vasco da Gama à Índia (Descobrimentos portugueses-
feito que Camões procura imortalizar). Este percurso marítimo é uma viagem
física, mas simboliza também uma jornada de coragem e superação.
Associado a este plano, surge o plano da
História de Portugal, introduzido através dos episódios narrados ao longo da
viagem sobre os feitos passados da nação portuguesa. Nestes momentos, Camões
recupera figuras históricas e acontecimentos marcantes de Portugal, valorizando
a identidade nacional
No plano mitológico intervêm os deuses da
mitologia clássica, como Vénus e Baco. Estas divindades influenciam o
desenrolar da ação, apoiando (Vénus) ou dificultando (Baco) a viagem dos
portugueses. Vénus protege os navegadores, reconhecendo o seu valor, enquanto
Baco tenta impedi-los, movido por inveja e medo de ser superado e esquecidos
pelos gloriosos feitos dos portugueses. Este plano confere à obra a dimensão épica, comum
em obras literárias épicas como "O Odisseias", elevando os feitos
portugueses ao nível dos heróis da Antiguidade.
A junção destes três planos conduz ao
plano derradeiro da obra: a exaltação dos portugueses. Este plano reforça a
ideia de que a viagem de Vasco da Gama não é um feito isolado de grandiosidade,
mas sim um feito de uma grandiosa nação com um percurso histórico de coragem e
conquistas. O plano mitológico eleva os portugueses ao patamar divino,
imortalizando-os. Assim, os portugueses são apresentados como heróis dignos de
reconhecimento e admiração.
Concluindo, "Os Lusíadas",
Luís de Camões constrói uma narrativa multifacetada e complexa em que
diferentes os três planos complementam-se. Através da sua articulação dos
planos, o autor não narra apenas uma viagem, mas celebra a identidade, a
história e o valor do povo português, transformando a obra num motivo para
glorificar a nação.
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