Será o suícido amoroso um ato de amor?
Será o suícido amoroso um ato de amor?
Morreram todos. Esse é o fim da maior
tragédia romântica: "Romeu e Julieta". Esta obra ditou uma
geração de tragédias românticas que têm tendência a seguir o mesmo modelo. Será
o abdicar da vida pela dor da ausência de outro o derradeiro ato de
amor?
Tragédias românticas, como “Romeu e
Julieta”, reforçam a visão do suicídio como prova máxima de entrega ao outro,
simbolizando entregar o maior bem, a própria vida. Se o amor promove uma vida
feliz deve autodestrutivo?
. O amor saudável implica cuidado,
respeito e valorização, para o amado e quem o ama. Quando é colocado o valor da
própria existência numa relação, cria-se dependência emocional. Neste
contexto, o suicídio amoroso não é um ato de amor saudável, resulta de
sofrimento profundo, desespero e incapacidade de lidar com rejeição/perda de
conexão com a pessoa amada.
É importante ver o impacto desse ato nos
ao redor. O suicídio não afeta apenas quem o comete, mas também familiares,
amigos e a própria pessoa amada, que pode carregar sentimentos de culpa e dor
durante toda a vida. Esta culpa é vista em "Romeu e Julieta". Quando
Julieta acorda vê Romeu, que se suicidou ao pensar que ela estava morta, por se
sentir culpada pela sua morte empunha o punhal de Romeu e crava em si.
Na minha opinião, um ato tão traumático representa
algo patológico e não amor. A sociedade devia desmistificar a ideia sofrer por
amor porque não é saudável como se observa em situações de abuso doméstico.
Contudo, atinge o objetivo simbólico, dar a vida pelo
outro não perdê-la. A vida perde o propósito quando o propósito era alguém. Possuir
uma conexão mais valiosa que a vida aqui implica dar a vida pelo outro não
perdê-la, essa conexão é a razão de puder dizer que viveu em primeiro lugar.
Concluindo, o suicídio amoroso é somente simbólico,
uma demonstração patológica do amor, um sinal de dor extrema e ausência de
alternativas percebidas. A aparente grandeza do gesto nas obras literárias pretende
glorificar, na minha opinião, o valor da conexão. Desmistificar essa visão é mandatário
para promover relações mais saudáveis.
O texto questiona com clareza se o suicídio amoroso é um ato de amor, utilizando Romeu e Julieta como exemplo ao longo da sua reflexão. A análise parece-me correta, visto que concordo com o pensamento de que o amor não causa suicídio, pois as pessoas confundem a dependência emocional com este sentimento e, quando não conseguem viver sem ele, abdicam da sua própria vida.
ResponderEliminarAgradeço o comentário e concordo com o que disse. Gostaria de acrescentar que o amor patológico (dependência emocional) nem parece uma forma de amor, demonstra apenas falta de amor próprio.
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