Farsa de Inês Pereira- Resumo

 

    Indíce

  • Contextualização
  • Descrição e contexto das personagens
  • Quadro da Divisão da obra
  • Esquema dos casamentos de Inês Pereira
  • Dimensão satírica
  • Onde Gil Vicente ganha a aposta- Conclusão da obra

 

Contextualização:

Quanto à obra:

  • A obra foi escrita no início do século XVI, publicada em 1523, durante o período do Renascimento em Portugal.
  • Este era um tempo de grandes mudanças sociais, marcado pelo auge da expansão marítima e pelo crescimento da burguesia.
  • Apesar dessas mudanças, persistiam fortes desigualdades sociais e uma sociedade muito hierarquizada.
  • Insere-se no teatro vicentino, caracterizado pela crítica social (através de personagens tipo), pelo humor e pela sátira.
  • Pertence ao género da farsa porque é uma peça cómica exagerada e caricaturial de comportamentos.
  • Gil Vicente utiliza linguagem simples e popular, aproximando a obra do público.
  • Crítica ao casamento por interesse, muito comum na época.
  • Expõem a importância das aparências sociais e a falsa nobreza.
  • Representação de diferentes grupos sociais (através de personagens tipo): camponeses, escudeiros, alcoviteiras, clero.
  • Denúncia da hipocrisia moral e religiosa.
  • A ação decorre num ambiente doméstico e quotidiano, centrado na vida de Inês Pereira.
  • Mostra o percurso da protagonista desde o desejo de ascensão social até à desilusão e aprendizagem (ainda que irónica).
  • Ou seja, valoriza-se a segurança e a simplicidade em vez da ambição enganadora.
  • A peça desenvolve-se a partir do provérbio:
  • “Mais quero asno que me leve do que cavalo que me derrube”
  • Gil Vicente foi acusado de plágio por produzir tantas obras de sucesso em pouco tempo. A Farsa de Inês Pereira foi a forma de comprovar a originalidade das suas obras, sendo desafiado a escrever uma farsa sobre o provérbio acima. Esta obra sua também se tornou um sucesso.

Descrição das personagens:



Quadro da Divisão da obra:

 A "Farsa de Inês Pereira" não está dividida em atos e cenas, porém, através da saída e entrada de personagens podemos estabelecer sequências dramáticas que estruturam a ação em torno da temática central: o casamento de Inês.

A obra divide-se em três partes:
  • Exposição: vv.1-68
  • Conflito: vv. 69-1067
  • Desenlace: vv. 1068-1115



 

Esquema dos casamentos de Inês Pereira:

Inês é, tal como se percebe, a personagem principal, mas poderá ser também uma personagem modelada?  

Ao contrário de outras personagens lisas ( personagens que não mudam os seus comportamentos e estado de espírito), a opinião acerca da temática central, o casamento, altera-se no caso de Inês. Esta personagem evidencia-se assim em relação às outras personagens.



Inês primeiro vê o casamento como libertação do enfadamento as tarefas domésticas. Anseia um marido "avisado", "discreto em falar" que saiba tanger viola mesmo se "pobre pelado" e feio.

Depois do casamento com o Escudeiro, esta definição é reavaliada e Inês passa a encarar como prioridade a estabilidade económica, liberdade e que as suas vontades sejam cumpridas. Por esta razão se define como modelada, ocorre alteração de comportamentos e ideais.
 


Dimensão satírica:

No teatro vicentino é constante um carácter moralizante e satírico. A ideia é que "ridendo castigat mores" (máxima romana, significa em latim "rindo-se corrigem-se costumes"), ou seja, ao provocar o riso Gil Vicente procura que a sociedade corrija os males que este critica. Neste contexto o riso cura/corrige os vícios e pecados.
Para atingir a sátira são utilizadas: Personagens-tipo e o Cómico

Personagens tipo são figuras que representam um grupo social, agindo de acordo com o seus comportamentos, sendo fundamentais para a crítica satírica.

Na "Farsa de Inês Pereira", destacam-se: Inês Pereira, representa as jovens que procuram ascender socialmente e se fascinam com o mundo cortês; a Mãe, símbolo do senso comum e da sabedoria por experiência; Lianor Vaz, critica o clero quando um dos seus membros a assedia; Brás da Mata, o falso fidalgo que representa a hipocrisia social e a falsa nobreza; o Moço que despreza o amo e expõe a sua condição económica; o Ermitão, simboliza a falsa religião porque não cumpre o celibato e a corrupção moral; finalmente os Judeus que veem o casamento como uma transação financeira.


Existem 3 tipos de cómico: cómico de carácter, cómico de situação e cómico de linguagem:


  • Cómico de carácter: Relacionado à personalidade e modo de ser de uma personagem. Muitas vezes apresentado na incapacidade de uma personagem se integrar num determinado ambiente ou contexto social. 

        Exemplo nesta farsa: A incapacidade de Pêro Marques se integrar no ambiente urbano. Por exemplo, não se sabe sentar numa cadeira então acaba por se sentar ao contrário. Este episódio específico pode ser também de situação.


  • Cómico de situação: Baseado no desenrolar da intriga, focando-se em situações inesperadas, de desencontros, de contrastes ou incomuns.

        Exemplo nesta farsa: Quando Pêro Marques leva Inês às costas e esta o chama de "marido cuco", porque a levava para o amante. Revela ser o "asno" indicado mote.


  • Cómico de linguagem: Resulta da desadequação da linguagem de um personagem. Revela-se através do uso de: ironia, sarcasmo, apartes e comentários, trocadilhos, gírias, calão, frases e expressões populares, dialetos, línguas como latim e árabe deturpadas ou linguagem infantil.

        Exemplo nesta farsa: Quando Pêro Marques cria um trocadilho entre Morgado (título dado ao herdeiro com maior herança) e mor gado (ter no sentido literal mais cabeças de gado). O cómico cria confusão na mãe de Inês que o vê assim como um pretendente rico.

 

Onde Gil Vicente ganha a aposta- Conclusão da obra:


“Mais quero asno que me leve do que cavalo que me derrube”


No episódio final, Pêro Marques, o "asno", carrega Inês para a capela onde se encontra com o seu amante (Ermitão) para o trair sem que saiba. A componente irónica nesta situação é que Inês ao ser transportada satiriza descaradamente  Pêro Marques: "Marido cuco", "Pera gamo", "Pera cervo"
Chega a por-lhe hastes de veado na cabeça e a dizer "Mais quero asno".
Enquanto que o Escudeiro, o "cavalo", a derrubou retirando a sua independência.
Inês conclui que prefere ser levada pelo asno que impedida pelo cavalo.

Com esta obra, Gil Vicente comprova a sua originalidade e vai apresentá-la pela primeira vez para o rei D. João III, em 1523 no Convento de Tomar.







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