Poesia Trovadoresca- Resumo esquemático

 

           Indíce

  • Contextualização
  • Cantigas de amigo 
  • Cantigas de amor
  • Cantigas de Escárnio e Maldizer

Contextualização:

  As cantigas são um género da poesia lírica medieval galego-portuguesa, muito cultivado entre os séculos XII e XIV.
   A mulher petrarquista muito vezes aqui referidas nestas cantigas é uma mulher idealizada e perfeita.       Fisicamente é loira de "tez" (pele) e olhos claros. No poema "A cativa" assistimos a uma exceção pois a mulher é exótica, por esse motivo só se assemelha à mulher petrarquista psicologicamente.
   Psicologicamente, consiste numa mulher elegante, com classe, inteligente, bondosa e empática. 

De onde surgiu a poesia trovadoresca?: 

   A chamada mulher petrarquista nasce sob a influência do poeta italiano Francesco Petrarca, que um dia, em 1327, viu Laura alguém que nunca conseguiu superar. 
   A partir daí, construiu uma poesia marcada por um amor platónico, intenso e impossível . Mesmo após a morte de Laura, em 1348, Petrarca continuou a cantá-la até ao fim da vida, o que mostra uma dedicação admirável e dificuldade em seguir em frente.
    Dessa idealização surge um modelo feminino quase “inalcançável : olhos claros, pele branca, cabelos loiros, uma figura etérea, perfeita, quase divina. Um símbolo de perfeição a qual a própria natureza se altera variante do seu estado de espírito. 
   Petrarca é o pai das cantigas trovadorescas de amor mas a poesia adaptou-se para poder também criticar como é o caso desta. Francisco Petrarca viveu de 20 de julho de 1304 - 19 de julho de 1374 (70 anos).

                                                                                    Representação de Francisco Petrarca e Laura de Noves

   Laura de Noves viveu de 1310  até 6 de abril de 1348 devido à peste (38 anos). Era um membro da nobreza, casada com Ugo di Sade. Julga-se que tenha sido amante de Petrarca mas há quem duvide se existiu.


Cantigas de amigo:

Definição:

São poemas em que o eu lírico é feminino (uma mulher ou donzela) que expressa sentimentos, sobretudo ligados ao amor que sente por elemento masculino, "o amigo". Passam-se na altura das guerras da Reconquista Cristã, portanto existe grande ausência masculina. Mostram o quotidiano na medida que nestas cantigas são descritas as tarefas domésticas, relações familiares, a vida enquanto sociedade como interagiam uns com os outros e os formas de seguir a religião, por exemplo em procissões.

Características principais:

  • Voz feminina 

  • Tema central: saudade, amor e ausência do “amigo” 

  • Linguagem simples e repetitiva

  • Uso de paralelismo (repetição de estruturas) e refrão

  • A Natureza reflete o estado de espírito da donzela(mar, rios, fontes, árvores). Por exemplo se esta estiver ansiosa de estar tanto tempo à espera do amigo pode começar a escurecer o céu e a fazer muito vento (exemplo: "Ondas do mar de Vigo" em que uma rapariga lamenta a ausência do seu amado e as ondas aumentam ).

  • Presença de confidentes (mãe ("Ai madre, bem vos digo"), amigas ("Bailemos nós já todas, ai amigas"), Natureza ("Ai flores, ai flores do verde pino")

  • A Natureza é: confidente; o ambiente natural e o espaço rural da vivência amorosa; e reflexo do estado de espírito da donzela. 


Cantigas de amor:

Definição:

São poemas em que o eu lírico é masculino e expressa o seu amor por uma mulher, geralmente de condição social superior e por essa razão inalcançável.

Características principais:

  • Voz masculina (o trovador)

  • Espaço aristocrático e ambiente palaciano

  • A mulher é idealizada e petrarquista (perfeita, distante e inacessível)

  • Amor não correspondido ou impossível (por ser de elevado estatuto social )

  • Forte influência do amor cortês (respeito, submissão, sofrimento)

  • Linguagem mais elaborada e formal do que nas cantigas de amigo

  • Uso de vocabulário que exalta a dama (ex: "senhor", "mia senhor", "dona") 

  • O "eu" lírico está subjugado à sua "senhor", ou seja presta-lhe vassalagem, fidelidade e devoção absoluta

  • Participa na coita de amor que é o sofrimento amoroso intenso o suficiente para o "eu" ficar louco ou se matar ("morte por amor"- sugestão de leitura)

  • Presença do panegírico da mulher amada: exaltação e hiperbolização das características da mulher amada que forma a identifica-la como perfeita

  • Elogio cortês: O "eu" lírico está subjugado à sua "senhor", ou seja presta-lhe vassalagem, fidelidade e devoção absoluta. Deste modo enaltecer a sua "dona" cumprindo o código do amor cortês (vassalagem, cortesia ou mesura) 


Cantigas de escárnio e maldizer:

Definição:

   São poemas satíricos usados para criticar, ridicularizar ou atacar pessoas, comportamentos ou instituições. 

   A diferença entre estas cantigas é que nas de maldizer identificasse quem se procura criticar, opostamente às de escárnio que evitam mencionar o nome ou criticar diretamente. 

Cantigas de escárnio
  • Emissor masculino que critica alguém ou situações variadas.

  • Crítica indireta e subtil

  • Uso de ironia e duplo sentido

  • Linguagem ambígua (pode não nomear diretamente a pessoa criticada)

  • Humor mais disfarçado

Cantigas de maldizer
  • Emissor masculino que critica alguém ou situações variadas.

  • Crítica direta e agressiva

  • Nomeação explícita da pessoa criticada

  • Linguagem mais grosseira e ofensiva

  • Tom mais violento e insultuoso

Temas frequentes:

  • Paródia do amor cortês (exemplo- "Ai dona fea, foste-vos queixar"), quanto ao código de amor cortês, o elogia da "senhor" e a morte amorosa (coita de amor).

  • Hipocrisia social e religiosa

  • Defeitos de nobres, clero ou cidadãos

  • Comportamentos ridículos ou imorais

  • Corrupção e vícios da sociedade


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